Entrevista com especialista em segurança.

jose-elias-de-godoyMuitas vezes, quando ouvimos falar de assaltos a condomínios, também ficamos sabendo que os invasores entraram no prédio pela própria portaria.

De acordo com o especialista em segurança José Elias de Godoy, isso ocorre na grande maioria dos casos devido a falhas humanas. Segundo ele, os erros mais comuns em relação ao controle de acesso de pessoas são protagonizados por pessoas, sejam elas moradoras ou funcionárias do edifício.

Existem procedimentos padrões e hábitos básicos que precisam ser adotados pelos condomínios para que o controle de entrada e saída de pessoas garanta o mínimo de segurança ao local.

A diretoria de condomínios do Secovi-SP, sindicato da habitação, explica que o porteiro é o principal controlador de acesso.

Ele também é o responsável pela identificação de pessoas, funcionários do condomínio, empregados domésticos, visitantes e entregadores, além de conferir as mercadorias deixadas na portaria e controlar a entrada e saída de veículos.
O especialista José Elias, capitão da Polícia Militar e autor de dois livros sobre segurança condominial, menciona que moradores de prédios onde não há porteiro precisam investir em equipamentos eletrônicos.

“Tem de haver a substituição por equipamentos de controle, de comunicação e de passadores de encomendas específicos, além do morador se deslocar sempre que preciso até a portaria, evitando-se o acesso de pessoas estranhas desacompanhadas no interior do condomínio”, avalia.

Para ele, o ideal é que exista integração entre o homem e o equipamento de forma que a atuação do porteiro seja completada pelo uso da tecnologia.

“O ideal é que o porteiro seja qualificado para exercer seu cargo e os equipamentos de segurança venham dar o suporte de sua atuação a fim de se diminuir, ao máximo, a possibilidade de erro”, ressalta o especialista em segurança.

Na próxima página, veja as regras para controlar a entrada e saída de pessoas.

O Secovi sugere alguns procedimentos básicos nos quais a atuação do porteiro deve se basear.

Eles passam pela identificação visual da pessoa, seguida por um cumprimento e pela solicitação de um documento com foto Durante todo esse processo os portões devem ser mantidos fechados e o visitante deve aguardar do lado de fora do condomínio ou em um local reservado para isso.

O condômino que está sendo procurado deve ser avisado da presença da visita na portaria e o porteiro não pode se esquecer de questioná-lo sobre a conveniência ou não de permitir a entrada da pessoa.

Em caso de dúvida ele deve solicitar ao morador que compareça à portaria para identificar o visitante. Com a entrada autorizada, o funcionário precisa anotar os dados do documento de identificação em um livro próprio, devolvê-lo e entregar um crachá, que deverá ser usado nas dependências do condomínio.

Outro procedimento indicado pelo Secovi e que não costuma ser muito comum nos condomínios é pedir para que outro funcionário acompanhe a pessoa ao seu destino.

No caso de prestadores de serviço, o porteiro também pode solicitar a identificação funcional ou crachá da empresa para qual a pessoa trabalha.

Todo condomínio deve ter horários predeterminados para a entrada de prestadores de serviço, evitando-se os períodos noturnos.

Entregadores nunca devem levar pacotes pessoalmente às residências e aos apartamentos.

O porteiro sempre deve pedir que o morador ou um funcionário doméstico compareça na portaria para retirar a entrega. Quando vier com nota fiscal, o funcionário do condomínio pode assiná-la e guardar o pacote para ser retirado posteriormente pelo morador, principalmente quando ele não está em casa.

Para controlar o acesso à garagem, o porteiro também precisa seguir algumas normas.

Nunca se deve abrir o portão sem ter certeza de que o veículo é de um morador e que o condômino está dentro dele.

Uma dica importante é prestar atenção aos sinais de alerta do motorista quando ele estiver acompanhado, pois o passageiro pode ser um assaltante que o está coagindo.

Antes de abrir o portão da garagem, verifique se não há risco de algum estranho entrar no prédio junto com o veículo e nunca libere a entrada de terceiros, mesmo que estejam em automóveis pertencentes aos moradores.

Além disso, José Elias orienta que a garagem é acesso exclusivo de veículos e toda movimentação de pedestres por esta entrada deve ser vetada. Na página a seguir, leia mais sobre como estabelecer as regras de controle de acesso ao condomínio.

De acordo com José Elias de Godoy, o grande segredo é o porteiro ter em mente que ele não pode autorizar a entrada de quem quer que seja sem pedir autorização para a pessoa procurada. Além disso, o condomínio precisa propiciar as condições mínimas de trabalho aos funcionários da portaria, mantendo equipamentos adequados ao serviço, como itens de segurança, comunicação e iluminação, por exemplo.

“Não existe a segurança 100%. Tudo é feito para minimizar os riscos e dificultar a ação dos ladrões, desestimulando suas atitudes. O melhor seria que os condomínios pudessem ter sistemas de clausuras intertravadas nos portões de acesso, aliando-se o binômio homem-equipamento, sendo que o colaborador tem que ser altamente treinado para exercer sua função”, comenta José Elias.

O sistema de dois portões acionados eletronicamente confinando o veículo entre si e permitindo que um portão se abra somente quando o outro estiver fechado, também é o indicado pelo Secovi para evitar a entrada do “carona”, isto é, do invasor que espera o carro entrar e aproveita o portão ainda aberto para adentrar o condomínio e praticar atos criminosos.
O Secovi orienta que cada condomínio deve adotar suas próprias normas de procedimento, pois desta forma elas atenderão de maneira mais eficaz às peculiaridades do edifício.

Uma assembleia é o momento ideal para fazer isso e determinar, por exemplo, que o porteiro ou demais funcionários responsáveis pelo controle de entrada e saída de pessoas possam fazer observação visual de bolsas e sacolas de empregados e prestadores de serviço.

Todas as regras precisam estar registradas no regimento interno do condomínio.

“É necessário trabalhar muito a conscientização dos moradores a fim de que eles sigam as normas e procedimentos. Tudo deve ser votado em assembleia para que se obtenha o efeito legal e sobre as atitudes comportamentais dos condôminos”, argumenta o especialista em segurança condominial.

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